
O transplante capilar é uma cirurgia que tira fios de uma área doadora, em geral a parte de trás e as laterais da cabeça, e os coloca nas áreas onde o cabelo rareou. Ele não cria cabelo novo: redistribui o que a pessoa já tem, e por isso depende de quanto cabelo existe na área doadora.
É um procedimento médico. No Brasil, a Lei do Ato Médico diz que a indicação e a execução de cirurgias e de procedimentos invasivos, inclusive os estéticos, são atividades privativas do médico (Brasil, 2013). Quem avalia se a cirurgia faz sentido para você é um cirurgião ou um dermatologista habilitado em transplante. Este artigo informa; ele não indica a cirurgia.
Como funciona o transplante capilar
Os fios crescem em pequenos grupos naturais, chamados unidades foliculares. A cirurgia retira essas unidades da área doadora e as implanta, uma a uma, na área receptora. Há duas formas principais de retirar os fios.
FUT, ou técnica da faixa. O médico retira uma faixa fina de couro cabeludo da área doadora, separa as unidades foliculares com ajuda de microscópio e fecha o corte com pontos. Fica uma cicatriz linear na área doadora, que preocupa parte dos pacientes (Rassman e colegas, 2002).
FUE, ou extração unidade por unidade. O médico retira cada unidade folicular diretamente da área doadora, com um instrumento circular de cerca de 1 mm. A técnica foi descrita em 2002 como uma alternativa para evitar a cicatriz linear da faixa. No mesmo trabalho, os autores observaram que nem todos são bons candidatos à FUE: num teste com 200 pacientes, cerca de 25% foram considerados candidatos ideais e cerca de 35%, bons candidatos (Rassman e colegas, 2002).
As duas técnicas têm vantagens e limites, e a escolha depende do caso e da avaliação do médico.
Os limites da cirurgia
Uma revisão sobre os desafios do transplante aponta três limites principais (Rose, 2015):
- A área doadora é finita. O número de fios disponíveis para transplante tem limite, e ele não aumenta.
- Nem todo fio implantado sobrevive. A sobrevivência dos fios é um dos desafios que a técnica ainda enfrenta.
- Esconder os sinais da cirurgia. Cicatrizes na área doadora e o desenho da área receptora pedem cuidado.
Há ainda uma questão de tempo. A calvície de padrão masculino costuma continuar avançando com os anos, inclusive nas idades mais altas (Norwood, 1975). Por isso a avaliação pensa não só no cabelo de hoje, mas em como a perda pode evoluir, para o resultado não ficar desencontrado no futuro.
Quem costuma ser avaliado para o transplante
Não há uma regra que sirva para todos, e só a consulta define. Alguns pontos costumam pesar na avaliação:
- A causa da queda. A maior parte dos transplantes é feita em quem tem calvície de padrão masculino (Norwood, 1975). Outras causas de queda pedem diagnóstico e tratamento próprios antes de qualquer conversa sobre cirurgia.
- A área doadora. Quantidade e qualidade dos fios da parte de trás e das laterais.
- O estágio e o ritmo da perda. Como a calvície está hoje e como tende a evoluir.
- A saúde geral. O histórico médico, os remédios em uso e as alergias.
- As expectativas. O que a cirurgia pode e o que não pode entregar no seu caso.
Nas mulheres, o afinamento de padrão feminino costuma ser tratado primeiro de outras formas, e a cirurgia pode ser considerada em casos selecionados e mais avançados (Fabbrocini e colegas, 2018). O artigo sobre queda de cabelo feminina explica as causas mais comuns.
Quais os riscos
Como toda cirurgia, o transplante tem riscos. Uma revisão de um cirurgião que acompanhou 2.896 pacientes operados ao longo de 10 anos registrou, entre outras, estas complicações: inflamação dos folículos, inchaço no rosto, dormência, desmaio durante o procedimento, deslocamento de enxertos, infecção, pequenas áreas de necrose, queda temporária de cabelo na área doadora ou na receptora, perda parcial dos fios implantados e insatisfação com o resultado. O autor aponta que uma conversa detalhada antes, o histórico médico e de alergias e um exame cuidadoso são o que mais reduz as queixas e as complicações (Garg e Garg, 2021).
Esses números vêm da experiência de um único cirurgião e não valem como estimativa para todos os casos. O risco no seu caso é uma conversa com o médico que vai avaliar você.
O que perguntar ao médico antes
Algumas perguntas ajudam a entender a proposta e a comparar avaliações:
- Qual é a causa da minha queda? E ela precisa ser tratada antes de pensar em cirurgia?
- Quem vai fazer a cirurgia? Qual a formação e o registro do médico, e quem participa de cada etapa.
- Qual técnica você indica para mim, e por quê? E onde fica a cicatriz em cada uma.
- Quanto cabelo eu tenho na área doadora? E quanto dela vai ser usado agora.
- O que a cirurgia pode e o que não pode fazer no meu caso? Peça uma resposta realista, sem promessa.
- Como a minha calvície tende a evoluir? E o que acontece com o resultado se ela avançar.
- Quais os riscos e como é a recuperação? Inclusive a queda temporária que pode acontecer depois.
- Vou precisar de mais de uma sessão?
- Onde a cirurgia é feita? E como é o atendimento se houver alguma complicação.
Desconfie de quem promete resultado garantido, faz a indicação sem examinar você ou pressiona por uma decisão rápida.
E pelo SUS?
Para saber se há algum atendimento pelo SUS no seu caso, a porta de entrada é a unidade básica de saúde, que avalia e, se for o caso, encaminha ao dermatologista. A consulta também serve para investigar a causa da queda, que é sempre o primeiro passo.
Antes da cirurgia: corte, barba e o que existe de tratamento
O transplante é uma das opções, não a única. Existem tratamentos para a calvície com estudos por trás, que o dermatologista pode avaliar, e o corte de cabelo muda muito o quanto as entradas aparecem. O artigo sobre entradas no cabelo mostra os estágios e os cortes de cada um, e o de barba falhada fala também do transplante de barba como conversa com o médico.
No Completo (R$ 147), o protocolo para entradas e barba falha mostra o seu estágio, o que pedir na barbearia, o que existe de tratamento, sem receitar nada, e os sinais que pedem um médico. O Garbo não indica cirurgia nem clínica.
Perguntas frequentes
Como funciona o transplante capilar?
O médico retira fios da área doadora, em geral a parte de trás e as laterais da cabeça, e os implanta onde o cabelo rareou. A cirurgia redistribui o cabelo que a pessoa já tem.
Qual a diferença entre FUT e FUE?
Na FUT, o médico retira uma faixa de couro cabeludo, o que deixa uma cicatriz linear. Na FUE, retira as unidades foliculares uma a uma, com um instrumento de cerca de 1 mm. Nem todos são bons candidatos à FUE.
Quem pode fazer transplante capilar?
Só a consulta define. Pesam a causa da queda, a área doadora, o estágio e o ritmo da perda, a saúde geral e as expectativas.
Quais os riscos do transplante capilar?
Entre os descritos estão inflamação dos folículos, inchaço, dormência, infecção, queda temporária, perda de parte dos fios implantados e insatisfação com o resultado. O risco no seu caso é conversa com o médico.
O que perguntar ao médico antes do transplante?
A causa da sua queda, quem faz a cirurgia, qual técnica e por quê, quanto cabelo há na área doadora, o que a cirurgia pode fazer no seu caso e como é a recuperação.
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Fontes
- Rassman WR, Bernstein RM, McClellan R e outros (2002). Follicular unit extraction: minimally invasive surgery for hair transplantation. Dermatologic Surgery.
- Rose PT (2015). Hair restoration surgery: challenges and solutions. Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology.
- Garg AK, Garg S (2021). Complications of Hair Transplant Procedures: Causes and Management. Indian Journal of Plastic Surgery.
- Norwood OT (1975). Male pattern baldness: classification and incidence. Southern Medical Journal.
- Fabbrocini G, Cantelli M, Masarà A e outros (2018). Female pattern hair loss: A clinical, pathophysiologic, and therapeutic review. International Journal of Women's Dermatology.
- Brasil (2013). Lei nº 12.842, de 10 de julho de 2013 (dispõe sobre o exercício da Medicina). Diário Oficial da União.