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Entradas no cabelo: normal ou começo de calvície?

Entradas no cabelo podem ser só um recuo leve nas têmporas ou o começo da calvície de padrão masculino, e quem consegue separar uma coisa da outra com segurança é um dermatologista. O sinal que mais pesa não é o cabelo que cai, e sim o fio que passa a nascer mais fino nas entradas e no alto da cabeça.

A calvície de padrão masculino tem a ver com a forma como os folículos do couro cabeludo respondem aos hormônios masculinos, e costuma avançar devagar, ao longo de anos. Abaixo, como os médicos descrevem os estágios, os sinais que pedem consulta e o que o corte de cabelo consegue fazer.

O que causa as entradas no cabelo

Os andrógenos, os hormônios masculinos, são os principais reguladores do pelo. Na puberdade, eles engrossam a barba e os pelos do corpo. Mais tarde, nos folículos do couro cabeludo de parte dos homens, os mesmos hormônios podem frear o crescimento do cabelo, o que leva à calvície de padrão masculino, chamada pelos médicos de alopecia androgenética. A resposta aos hormônios é do próprio folículo e muda de uma região da cabeça para outra (Randall, 2008).

Isso explica por que as entradas e o alto da cabeça afinam enquanto as laterais e a nuca costumam continuar cheias. Também explica por que dois homens com hormônios parecidos podem ter cabelos tão diferentes.

Os estágios da calvície masculina

Em 1951, James Hamilton descreveu os tipos de perda de cabelo de padrão masculino (Hamilton, 1951). Em 1975, o médico O. T. Norwood revisou essa classificação e a aplicou em 1.000 homens brancos adultos. Ele observou que a calvície continua avançando com o tempo, inclusive nos anos mais tardios (Norwood, 1975).

A escala de Norwood, como ficou conhecida, tem 7 estágios e é usada por dermatologistas para descrever o avanço da calvície:

  • Estágios iniciais: a linha da frente está inteira ou com um recuo pequeno nas têmporas.
  • Estágios intermediários: as entradas ficam mais fundas, formam um desenho de M, e o alto da cabeça, a coroa, pode começar a ralear.
  • Estágios avançados: as entradas e a coroa se juntam, e sobra o cabelo das laterais e da parte de trás.

A escala descreve um caminho comum, não um destino. Nem todo recuo pequeno avança, e o ritmo muda de pessoa para pessoa.

Como saber se estou ficando careca

Só um dermatologista pode dizer, com o exame do couro cabeludo e o seu histórico. Alguns sinais, porém, ajudam a saber se vale marcar a consulta:

  • Fios mais finos. Fios grossos e finos lado a lado nas entradas ou na coroa, quando antes tinham a mesma grossura.
  • Couro aparecendo com luz de cima. A luz de frente disfarça; a de cima mostra a densidade real.
  • Mudança ao longo dos meses. Fotos de frente, de cima e da coroa, tiradas sempre do mesmo jeito, com alguns meses de intervalo, mostram se algo mudou.
  • Histórico na família. É uma pista, não uma certeza.

Fios no travesseiro ou no ralo, sozinhos, dizem pouco.

E os tratamentos

Existem tratamentos para a calvície de padrão masculino com estudos por trás, e cada um tem indicação, contraindicação e efeitos que precisam ser pesados caso a caso. Quem avalia se algum serve para você é o dermatologista. Este artigo não indica remédio nem procedimento.

Para quem pensa em cirurgia, o artigo sobre transplante capilar explica como funciona e o que perguntar ao médico antes.

Cortes que deixam as entradas menos aparentes

O corte não faz o cabelo crescer, mas muda o quanto as entradas aparecem. As sugestões abaixo são convenções de barbearia, não resultado de estudo.

Menos contraste nas laterais. Um degradê baixo, que mantém as laterais com densidade próxima à do topo, deixa as entradas menos marcadas. O degradê alto, com as laterais quase raspadas, aumenta a diferença.

Topo curto e com textura. Fios curtos ficam mais em pé e cobrem mais área. Fio comprido sobre área rala se separa e abre espaço.

Acabamento seco. Produto com brilho e cabelo penteado para trás mostram mais o couro; acabamento seco e fosco mostra menos.

Nada de cobrir com cabelo de outro lugar. Puxar fios compridos das laterais para cima das entradas costuma chamar mais atenção para elas.

Raspar também é uma escolha. Nos estágios mais avançados, máquina na cabeça toda ou raspado, com a barba bem desenhada, é uma opção comum. Nesse caso, a barba passa a desenhar o rosto.

Como o Garbo trata as entradas

No Premium (R$ 87), os cortes de cabelo levam em conta as entradas que aparecem nas suas fotos.

No Completo (R$ 147), há um protocolo para entradas e barba falha. Ele mostra a escala de estágios com o seu destacado, como acompanhar o próprio cabelo, o que pedir na barbearia em cada estágio, o que existe de tratamento, sem receitar nada, e os sinais que pedem um médico. A decisão sobre tratamento fica sempre com o dermatologista. O Garbo descreve o que a foto mostra e não faz diagnóstico.

Na mulher, a queda costuma seguir outro desenho. O artigo sobre queda de cabelo feminina explica as diferenças.

Perguntas frequentes

Entradas no cabelo são normais?

Nem todo recuo nas têmporas é calvície. Se ele avança ou vem com fios mais finos, um dermatologista pode dizer se é o começo da calvície.

Como saber se estou ficando careca?

Os sinais mais úteis são fios mais finos nas entradas e na coroa, couro aparecendo com luz de cima e mudança em fotos comparadas ao longo dos meses. Quem confirma é o dermatologista.

O que causa entradas no cabelo?

Na calvície de padrão masculino, a resposta dos folículos do couro cabeludo aos hormônios masculinos, que varia de pessoa para pessoa.

Qual corte disfarça entradas?

Degradê baixo, topo curto com textura e acabamento seco. Puxar cabelo das laterais para cobrir as entradas costuma chamar mais atenção.

Quando procurar um dermatologista?

Quando as entradas avançam, quando os fios afinam ou logo, se aparecer queda rápida, falha redonda, coceira, dor ou outros sintomas.

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Fontes

  1. Hamilton JB (1951). Patterned loss of hair in man; types and incidence. Annals of the New York Academy of Sciences.
  2. Norwood OT (1975). Male pattern baldness: classification and incidence. Southern Medical Journal.
  3. Randall VA (2008). Androgens and hair growth. Dermatologic Therapy.
  4. Strazzulla LC, Wang EHC, Avila L e outros (2018). Alopecia areata: Disease characteristics, clinical evaluation, and new perspectives on pathogenesis. Journal of the American Academy of Dermatology.