
A queda de cabelo feminina tem causas diferentes, e as duas mais comuns pedem caminhos diferentes: o afinamento de padrão feminino, que deixa o alto da cabeça mais ralo aos poucos, e a queda difusa que aparece alguns meses depois de algo que mexeu com o corpo. Quem descobre a causa é um dermatologista, com o seu histórico, o exame do couro cabeludo e, quando preciso, exames de sangue.
Queda e afinamento não são a mesma coisa. Na queda, cai mais cabelo do que antes; no afinamento, o fio volta mais fino a cada ciclo e o volume diminui, às vezes sem queda que chame atenção. Abaixo, cada causa, os sinais que pedem consulta e o que o corte e a cor conseguem fazer.
Afinamento de padrão feminino
É a forma mais comum de perda de cabelo na mulher (Fabbrocini e colegas, 2018). Ela segue outro desenho do que o masculino: na maioria das vezes, a linha da frente continua no lugar e o cabelo afina no alto da cabeça, em volta da risca do meio. Por isso demora a ser notada, porque de frente, no espelho, tudo parece igual.
Em 1977, o dermatologista E. Ludwig descreveu os estágios desse afinamento numa escala de três graus, para ajudar no diagnóstico precoce. Ele também observou que a forma feminina era mais frequente do que se pensava na época (Ludwig, 1977). A escala de Ludwig é usada por dermatologistas para descrever o avanço:
- Grau I: a risca do meio fica um pouco mais larga.
- Grau II: o alto da cabeça fica visivelmente mais ralo, e o couro aparece em volta da risca.
- Grau III: o topo fica bem ralo, com o couro aparecendo mesmo com o cabelo penteado.
Na maioria dos casos, o diagnóstico vem da conversa e do exame feitos pelo médico. Quando há sinais de excesso de hormônios masculinos, como menstruação irregular, espinhas fora de hora ou pelos novos no rosto, o médico investiga os ovários e as glândulas suprarrenais (Fabbrocini e colegas, 2018).
Queda que aparece de repente
O eflúvio telógeno é uma das causas mais comuns de queda difusa, espalhada pela cabeça toda, e leva muitas mulheres ao dermatologista. A queda costuma começar 3 a 4 meses depois do que a provocou, o que confunde, porque a causa já ficou para trás. Os gatilhos são variados, e descobrir qual foi pede histórico e exames que afastem problemas hormonais, de nutrição e autoimunes (Malkud, 2015). A deficiência de ferro é um dos pontos que costumam ser investigados.
Ver mais fios caindo não diz, sozinho, qual é a causa. Por isso a consulta vale mais do que qualquer palpite.
Penteados que puxam
Rabo de cavalo e coque apertados, tranças muito presas e apliques ou extensões pesados, usados por muito tempo, podem causar queda na linha da frente e nas têmporas. É a chamada alopecia de tração. O risco cresce com a força e o tempo da tração, e com alisamentos químicos. Nos estágios avançados, se a tração continua, a perda pode se tornar permanente (Billero e Miteva, 2018).
Se você usa esses penteados com frequência e notou falhas na frente ou nas laterais, afrouxe e fale com um dermatologista.
Mulher tem entradas no cabelo?
Pode ter, mas é menos comum: Ludwig já descrevia o padrão masculino na mulher como excepcional (Ludwig, 1977). Entradas na mulher podem vir da tração, de alterações hormonais ou de outras formas de queda, e cada uma tem uma conduta. Se as entradas apareceram ou estão aumentando, a consulta com o dermatologista é o caminho. No homem, as entradas costumam seguir o padrão descrito no artigo sobre entradas no cabelo.
Sinais que pedem um dermatologista
Procure um dermatologista se notar qualquer um destes:
- queda de muito cabelo em poucas semanas;
- falhas redondas e bem marcadas, no cabelo ou nas sobrancelhas, que podem ser alopecia areata, um tipo de queda inflamatória que atinge pessoas de todas as idades (Strazzulla e colegas, 2018);
- coceira, descamação, vermelhidão, dor ou ardência no couro cabeludo;
- queda junto com menstruação irregular, espinhas fora de hora ou pelos novos no rosto;
- queda junto com cansaço forte, mudança de peso ou unhas fracas;
- queda que não melhora com o passar dos meses;
- afinamento que avança, com a risca cada vez mais larga.
E os tratamentos
Existem tratamentos para o afinamento de padrão feminino com estudos por trás, e eles funcionam melhor para segurar o avanço do que para fazer o cabelo voltar, por isso o diagnóstico cedo ajuda (Fabbrocini e colegas, 2018). Quando a queda tem outra causa, como falta de ferro ou um problema de tireoide, o tratamento é o da causa.
Todos os tratamentos têm indicação, contraindicação e efeitos que precisam ser pesados no seu caso, e alguns podem não ser indicados na gravidez ou na amamentação. Quem decide é o médico. Este artigo não indica remédio nem procedimento.
O que o corte e a cor conseguem fazer
O corte e a cor não fazem o cabelo crescer, mas mudam o quanto o afinamento aparece. As sugestões abaixo são convenções de salão, não resultado de estudo.
Risca que muda de lugar. A risca sempre no mesmo ponto vira uma faixa aberta. Mudar de lado de tempos em tempos, ou fazer a risca em zigue-zague, espalha os fios.
Comprimento que não pesa. Cabelo muito longo junta os fios e abre a risca. Até os ombros, ou um pouco abaixo, a raiz fica com mais volume.
Camadas leves no alto. Dão volume onde o cabelo está mais ralo.
Menos contraste entre fio e couro. Cabelo muito escuro sobre couro claro mostra mais a risca. Uma raiz esfumada ou mechas finas perto do rosto, num tom próximo ao seu, diminuem esse contraste. Antes de qualquer coloração, faça o teste de alergia.
Disfarces do dia a dia. Pó colorido para couro cabeludo, apliques leves e próteses capilares são maquiagem, não tratamento, e podem ajudar no dia a dia.
Como o Garbo trata a queda e o afinamento
No perfil feminino do Completo (R$ 147), há um protocolo para queda e afinamento. Ele mostra a escala de Ludwig com o seu grau destacado, testes simples para acompanhar o cabelo em casa, o que pedir no salão em cada grau, o papel da cor e da risca, o que existe de tratamento, sem receitar nada, e os sinais que pedem um médico. A decisão sobre tratamento fica sempre com o dermatologista.
Para quem pensa em cirurgia, o artigo sobre transplante capilar explica como funciona e o que perguntar antes.
Perguntas frequentes
Queda e afinamento do cabelo são a mesma coisa?
Não. Na queda, cai mais cabelo do que antes. No afinamento, o fio volta mais fino e o volume diminui, às vezes sem queda que chame atenção.
O que causa queda de cabelo feminina?
As causas mais comuns são o afinamento de padrão feminino e a queda difusa que aparece meses depois de algo que mexeu com o corpo. Penteados que puxam e alopecia areata também causam queda. Quem identifica a causa é o dermatologista.
Mulher tem entradas no cabelo?
Pode ter, mas é menos comum. Pode vir de tração, de hormônios ou de outras formas de queda, e pede consulta com o dermatologista.
Quando procurar um dermatologista?
Quando a queda é rápida, quando aparecem falhas redondas, coceira ou dor, quando vem com outros sintomas ou quando o afinamento avança.
Qual corte disfarça o cabelo ralo?
Comprimento até os ombros, camadas leves no alto e risca que muda de lugar. Uma raiz esfumada também diminui o contraste entre fio e couro.
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Fontes
- Ludwig E (1977). Classification of the types of androgenetic alopecia (common baldness) occurring in the female sex. British Journal of Dermatology.
- Fabbrocini G, Cantelli M, Masarà A e outros (2018). Female pattern hair loss: A clinical, pathophysiologic, and therapeutic review. International Journal of Women's Dermatology.
- Malkud S (2015). Telogen Effluvium: A Review. Journal of Clinical and Diagnostic Research.
- Billero V, Miteva M (2018). Traction alopecia: the root of the problem. Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology.
- Strazzulla LC, Wang EHC, Avila L e outros (2018). Alopecia areata: Disease characteristics, clinical evaluation, and new perspectives on pathogenesis. Journal of the American Academy of Dermatology.