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O que torna um rosto bonito, segundo os estudos

Os estudos apontam três características ligadas a um rosto bonito: traços próximos da média da população, simetria entre os dois lados e traços típicos do próprio sexo. Uma revisão com meta-análises concluiu que as três pesam em rostos de homens e de mulheres e em várias culturas (Rhodes, 2006).

Nenhuma delas funciona como nota única, e a pele, a expressão e quem está olhando também mudam o resultado. Abaixo, o que cada uma significa e o que os estudos mostram sobre ela.

As pessoas concordam sobre quem é atraente

A ideia de que beleza é só gosto pessoal não resiste aos dados. Em 11 meta-análises, pesquisadores encontraram concordância sobre quem é e quem não é atraente, tanto dentro de uma mesma cultura quanto entre culturas diferentes (Langlois e colegas, 2000).

Concordância não quer dizer unanimidade. As preferências também variam com a idade, a experiência visual, a familiaridade com certos rostos e o que cada pessoa aprende no convívio social (Little e colegas, 2011). Há um núcleo comum e uma margem que é de cada um.

Proximidade da média

Um rosto próximo da média tem traços parecidos com os da maioria das pessoas do mesmo grupo: o tamanho do nariz, a distância entre os olhos, a altura da boca. É uma das três características com mais apoio nos estudos (Rhodes, 2006).

Um experimento mostra como isso aparece nas medidas. Pesquisadores mudaram a posição dos olhos e da boca em fotos e pediram que as pessoas escolhessem a versão mais atraente de cada rosto. As preferidas ficaram com a distância entre os olhos e a boca em cerca de 36% da altura do rosto e a distância entre os olhos em cerca de 46% da largura, que são as proporções de um rosto médio (Pallett e colegas, 2010).

Média, aqui, não quer dizer comum ou sem graça. Quer dizer que nenhum traço se afasta muito do que é típico. Por isso a média de referência depende do grupo: comparar um rosto com a média de outra população mede mal.

Simetria

O quanto um lado do rosto espelha o outro. Rostos mais simétricos tendem a ser vistos como mais atraentes (Rhodes, 2006), mas o efeito tem limite. Quando pesquisadores deixaram rostos mais simétricos sem mudar o tamanho dos traços, eles foram avaliados como menos atraentes, talvez por perderem as pequenas assimetrias naturais que deixam a expressão viva (Swaddle e Cuthill, 1995). O assunto está em simetria facial.

Traços típicos de cada sexo

São os traços que costumam diferir entre homens e mulheres, como a largura da mandíbula, a altura das sobrancelhas e o tamanho do queixo. Os estudos chamam isso de dimorfismo sexual, e ele aparece entre as três características ligadas à atração (Rhodes, 2006).

As preferências por rostos, inclusive por esses traços, variam de pessoa para pessoa, com fatores como os hormônios, a aparência de quem olha e a experiência visual (Little e colegas, 2011). Os detalhes estão em dimorfismo facial.

Pele e expressão

As medidas de formato não contam tudo. Uma revisão dos estudos sobre atração lista a cor e a textura da pele entre as características que influenciam o julgamento (Little e colegas, 2011). Num experimento, deixar a pele do rosto mais uniforme em fotos aumentou a atração percebida, mesmo quando as pessoas não percebiam que a foto tinha mudado (Sun e colegas, 2022).

A expressão também conta. Num rosto em movimento, o sorriso, o olhar e a postura mudam a impressão, e uma foto parada capta só um instante.

O que deixa o rosto mais bonito no dia a dia

Ossos e proporções mudam pouco, mas várias coisas em volta deles podem ser escolhidas:

  • O corte de cabelo, que muda o contorno e o equilíbrio entre as partes do rosto. Veja como saber o formato do seu rosto.
  • A sobrancelha e a barba, que mudam a leitura dos olhos e da parte de baixo do rosto.
  • O cuidado com a pele, que muda a uniformidade da cor e da textura.
  • As cores perto do rosto, na roupa e no cabelo.

Nenhuma dessas escolhas transforma um rosto em outro. Elas mudam o quanto cada traço aparece.

Rosto perfeito não existe

Não existe rosto que tenha todas as características no ponto máximo, e os próprios estudos mostram que proporções e traços variam entre rostos considerados atraentes. Também não faz sentido ordenar pessoas por uma régua só: as preferências mudam com quem olha, e cada característica pesa diferente em cada rosto. Testes que prometem uma "nota de beleza" a partir de um número, como a proporção áurea, comparam você com uma regra que os estudos não sustentam; veja proporção áurea no rosto.

Como o Garbo lê essas características

O Completo traz 5 avaliações faciais que seguem os temas dos estudos: dimorfismo, que mostra o quanto cada traço tende ao típico masculino ou feminino; prototipicidade, que mostra o quanto os seus traços se parecem com os típicos do seu grupo; proporções, que olha os terços do rosto; simetria; e o formato do rosto. Cada avaliação vem explicada em texto, várias delas comparadas com o seu grupo, para você saber o que a medida descreve, e não como uma sentença sobre a sua aparência.

Para entender as medidas antes, veja a análise facial por foto e os terços do rosto.

Perguntas frequentes

O que torna um rosto bonito?

Os estudos apontam três características: traços próximos da média do grupo, simetria e traços típicos do próprio sexo. Pele e expressão também pesam.

A beleza é igual em todas as culturas?

Em parte. Meta-análises encontram concordância sobre quem é atraente dentro e entre culturas, mas as preferências também variam com a experiência e a idade de quem olha.

Rosto médio é mais bonito?

Rostos com traços perto da média do grupo tendem a ser vistos como atraentes. Média, aqui, quer dizer que nenhum traço se afasta muito do típico.

O que deixa o rosto mais bonito?

O que dá para escolher: corte de cabelo, sobrancelha, barba, cuidado com a pele e cores perto do rosto. Elas mudam o quanto cada traço aparece, não o rosto em si.

Existe rosto perfeito?

Não. Os rostos considerados atraentes variam entre si, e as preferências mudam com quem olha. Nenhuma régua única ordena as pessoas.

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Fontes

  1. Rhodes G (2006). The evolutionary psychology of facial beauty. Annual Review of Psychology.
  2. Langlois JH, Kalakanis L, Rubenstein AJ, Larson A, Hallam M, Smoot M (2000). Maxims or myths of beauty? A meta-analytic and theoretical review. Psychological Bulletin.
  3. Little AC, Jones BC, DeBruine LM (2011). Facial attractiveness: evolutionary based research. Philosophical Transactions of the Royal Society B.
  4. Pallett PM, Link S, Lee K (2010). New "golden" ratios for facial beauty. Vision Research.
  5. Swaddle JP, Cuthill IC (1995). Asymmetry and human facial attractiveness: symmetry may not always be beautiful. Proceedings of the Royal Society B.
  6. Sun YP, Zhang X, Lu N, Li J, Wang Z (2022). Your face looks the same as before, only prettier: The facial skin homogeneity effects on face change detection and facial attractiveness perception. Frontiers in Psychology.