
Visagismo é escolher o que fica perto do rosto (corte de cabelo, barba, sobrancelha, cor do cabelo e até óculos) a partir das formas e das proporções do rosto de cada pessoa, e não pela moda do momento. Na prática, o profissional olha o formato do rosto, a parte mais larga, o contorno da mandíbula e o tipo de cabelo, e escolhe o que equilibra esse conjunto.
No Brasil, uma das referências sobre o tema é o livro Visagismo: harmonia e estética, do artista plástico Philip Hallawell, publicado pela Editora Senac São Paulo para maquiadores, cabeleireiros e estudantes de visagismo. Hoje a palavra é usada em salões, barbearias e consultorias de imagem.
Para que serve o visagismo
O visagismo serve para tomar uma decisão de visual com um critério, em vez de copiar o corte de outra pessoa. Um mesmo corte muda de efeito em rostos diferentes: o volume no topo que alonga um rosto redondo pode deixar um rosto oblongo ainda mais comprido.
Os usos mais comuns são:
- escolher um corte de cabelo novo;
- definir o desenho da barba ou da sobrancelha;
- escolher a cor do cabelo pelo tom da pele;
- escolher a armação de óculos.
Como o visagismo funciona no corte de cabelo
O ponto de partida é o formato do rosto. A ideia é usar o cabelo para equilibrar as larguras e o comprimento:
- em rostos com comprimento e largura parecidos, como o redondo e o quadrado, o corte costuma buscar altura e linhas verticais;
- em rostos bem mais compridos que largos, como o oblongo, o corte costuma evitar altura demais e dar presença às laterais;
- quando uma parte é bem mais larga que as outras, como a testa no rosto coração ou a mandíbula no triangular, o corte leva volume para a parte mais estreita.
Além do formato, entram o tipo de cabelo (liso, ondulado, cacheado ou crespo), a linha da testa e as entradas, e o quanto a pessoa quer cuidar do cabelo no dia a dia.
Como o visagismo funciona na barba
Na barba, a lógica é a mesma, aplicada à parte de baixo do rosto. A barba muda o contorno que se vê na mandíbula e no queixo: pode alongar um rosto redondo quando é mais comprida no queixo e mais curta nas laterais, ou dar a impressão de uma mandíbula mais marcada quando o desenho é reto. A barba para cada formato de rosto mostra os casos um por um.
Visagismo masculino e feminino
O princípio é o mesmo. O que muda são as ferramentas. No masculino, a barba é um dos recursos principais, e o corte trabalha muito com o comprimento das laterais e a altura do topo. No feminino, entram o comprimento total do cabelo, a franja, as camadas e o desenho da sobrancelha.
As proporções de base também mudam entre homens e mulheres e entre pessoas de origens diferentes. Os estudos de medidas faciais mostram uma grande variação no tamanho de cada parte do rosto, mesmo entre rostos considerados normais, e por isso as proporções "ideais" dos manuais clássicos raramente descrevem um rosto real (Farkas e colegas, 1985). Um bom visagismo parte do rosto que está na frente, e não de uma régua única.
O que o visagismo não faz
O visagismo trabalha com o que se vê e com escolhas que a pessoa pode desfazer: o cabelo cresce, a barba se raspa, a cor se muda. Ele não muda a estrutura do rosto, não substitui avaliação médica e não tem a ver com procedimento estético.
Também vale separar o visagismo do que a pesquisa diz sobre atração. Uma revisão com meta-análises concluiu que rostos mais próximos da média, mais simétricos e com traços típicos do próprio sexo tendem a ser vistos como atraentes em várias culturas (Rhodes, 2006). O visagismo não promete deixar ninguém "mais bonito" por esse critério; ele ajuda a escolher o que combina com o rosto que a pessoa já tem.
Quem faz visagismo
Cabeleireiros, barbeiros, maquiadores e consultores de imagem com formação em visagismo. O atendimento pode ser uma consulta à parte ou fazer parte do corte. O preço varia muito de um lugar para outro, então vale perguntar antes o que está incluído: só a conversa, o corte, ou também barba, cor e sobrancelha.
Há também o caminho por foto. Ferramentas como o Garbo medem o rosto e mostram as sugestões em imagens, que a pessoa leva ao profissional de confiança. A diferença entre esses caminhos está no artigo sobre visagismo online.
Visagismo vale a pena
Vale para quem quer mudar o visual e não sabe por onde começar, ou para quem já fez cortes que não ficaram bons sem entender o motivo. O resultado depende de duas coisas: de quem faz a leitura do rosto e de a pessoa se reconhecer no que foi sugerido. Uma sugestão que não combina com o seu jeito de vestir ou com o tempo que você tem para arrumar o cabelo não vai durar.
Perguntas frequentes
O que é visagismo?
É escolher corte, barba, sobrancelha, cor do cabelo e óculos a partir das formas e proporções do rosto de cada pessoa.
Para que serve o visagismo?
Para decidir o visual com um critério: equilibrar o formato do rosto com o corte, a barba ou a sobrancelha, em vez de copiar o que fica bem em outra pessoa.
Qual a diferença entre visagismo masculino e feminino?
O princípio é o mesmo. No masculino, a barba e as laterais do corte pesam mais; no feminino, entram o comprimento, a franja, as camadas e a sobrancelha.
Quem faz visagismo?
Cabeleireiros, barbeiros, maquiadores e consultores de imagem com formação na área. Também existem ferramentas que medem o rosto por foto.
Visagismo vale a pena?
Vale para quem quer mudar o visual com segurança. O resultado depende de uma boa leitura do rosto e de a sugestão combinar com a rotina da pessoa.
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Fontes
- Hallawell P (2003). Visagismo: harmonia e estética. Editora Senac São Paulo, 6ª edição (livro; ISBN 978-85-7359-930-5).
- Farkas LG, Hreczko TA, Kolar JC, Munro IR (1985). Vertical and horizontal proportions of the face in young adult North American Caucasians: revision of neoclassical canons. Plastic and Reconstructive Surgery.
- Rhodes G (2006). The evolutionary psychology of facial beauty. Annual Review of Psychology.