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Mewing funciona? O que a ciência diz até agora

Não há estudo científico que mostre que o mewing muda o formato da mandíbula ou do queixo. Os textos sobre mewing publicados em revistas de odontologia e de medicina são, até agora, comentários, alertas e análises de redes sociais, e nenhum deles testou se a prática muda o rosto de quem a faz.

Este artigo explica o que é o mewing, de onde veio a ideia e o que se sabe sobre ela. Ele não ensina a técnica nem recomenda que você a faça.

Um aviso antes de continuar. Se você tem menos de 18 anos, está com dor na mandíbula, ouve estalos ao abrir a boca ou tem dúvida sobre a sua mordida, quem pode avaliar é um dentista ou um ortodontista. Exercício visto na internet não substitui essa consulta.

O que é mewing

Mewing é o nome dado, nas redes sociais, ao hábito de manter a língua inteira apoiada no céu da boca, com os lábios fechados e os dentes encostados de leve. A promessa que circula é que, com o tempo, essa postura deixaria a mandíbula mais marcada e o queixo mais projetado.

O nome vem de John Mew, um ortodontista britânico que defende a "ortotrópica", uma abordagem de tratamento que tenta guiar o crescimento do rosto de crianças e adolescentes (Mew, 2007). A ideia se espalhou em vídeos nas redes sociais, onde ganhou o nome de mewing.

O que os estudos dizem

O estudo mais citado não testou o mewing. O trabalho que costuma aparecer como prova é de John Mew, publicado em 2007. Ele comparou uma série de 12 gêmeos idênticos, uns tratados com aparelho fixo tradicional e outros com a ortotrópica, e pediu a 12 avaliadores leigos que julgassem os rostos 10 anos depois do tratamento. Os tratados com ortotrópica foram julgados mais atraentes (Mew, 2007).

Esse estudo tem limites importantes. Foi feito pelo próprio criador do método, com crianças e adolescentes em fase de crescimento, e testou um tratamento ortodôntico conduzido por profissional, não um exercício feito em casa. Ele não diz nada sobre adultos que fazem mewing sozinhos.

A pergunta chegou às revistas de odontologia. Em 2019, um texto publicado no periódico da Associação Americana de Cirurgiões Bucomaxilofaciais levou ao título a pergunta se o mewing seria uma alternativa das redes sociais à cirurgia ortognática, a cirurgia que corrige a posição dos ossos da face (Lee, Graves e Friedlander, 2019).

O mewing faz parte de uma tendência maior nas redes. Um estudo da Faculdade de Odontologia da USP analisou publicações sobre "looksmaxxing", o conjunto de práticas para mudar a aparência difundidas nas redes, incluindo o mewing. Os pesquisadores encontraram muito engajamento, sobretudo entre homens jovens: cerca de 74% do conteúdo com a etiqueta #mewing vinha de homens. Entre as narrativas mais comuns nos 100 posts de maior alcance sobre looksmaxxing estavam o uso de linguagem que imita a ciência sem ter base nela e a tendência de minimizar os riscos (Grillo e colegas, 2026).

Mewing funciona em adulto?

Não há estudo que mostre isso. A mandíbula e o queixo são ossos, e o que muda o formato de um osso do rosto no adulto, de forma comprovada, são tratamentos feitos por profissionais, como a ortodontia e a cirurgia, indicados caso a caso.

O que pode mudar a aparência da mandíbula sem mexer no osso é outra coisa: o peso corporal, a postura da cabeça e do pescoço e até o ângulo de uma foto. Uma foto tirada de baixo, por exemplo, mostra uma linha da mandíbula diferente de uma foto tirada na altura dos olhos. Isso explica parte dos "antes e depois" que circulam: a diferença pode estar na foto, não no rosto.

Quanto tempo leva para fazer efeito?

Como não há estudo que mostre efeito, não há prazo conhecido. Os prazos que aparecem nas redes, em semanas ou meses, não vêm de pesquisa.

Mewing faz mal?

Também não há estudo sobre os riscos do mewing especificamente. Por isso, o mais seguro é ficar atento ao próprio corpo: dor na mandíbula, dor de cabeça, estalos ao abrir a boca ou mudança na forma como os dentes se encostam são motivos para procurar um dentista. Em crianças e adolescentes, que ainda estão crescendo, qualquer dúvida sobre a mordida ou a respiração é assunto para o dentista, o ortodontista ou o pediatra.

Respirar pela boca, mordida e postura

Parte do interesse pelo mewing vem de assuntos reais, que têm tratamento. Respirar sempre pela boca, roncar, ter a mordida cruzada ou os dentes desalinhados são questões que um dentista, um ortodontista ou um médico otorrinolaringologista avaliam. Se algum desses pontos é o que preocupa você, a consulta resolve mais do que qualquer exercício.

Como o Garbo descreve a mandíbula e o queixo

No Completo (R$ 147), a mandíbula e o queixo estão entre os 12 traços avaliados nas fotos. A análise descreve o que a foto mostra, como a largura da mandíbula em relação ao rosto e a largura, a altura e a projeção do queixo, sem prometer mudança. O Garbo não recomenda mewing nem nenhum exercício para mudar o osso.

Para entender como o corte de cabelo e a barba mudam a leitura da parte de baixo do rosto, veja o artigo sobre barba para cada formato de rosto. Para saber como as medidas são lidas numa foto, veja análise facial por foto.

Perguntas frequentes

O que é mewing?

É o nome dado nas redes ao hábito de manter a língua apoiada no céu da boca, com a promessa de mudar a mandíbula. O nome vem do ortodontista britânico John Mew.

Mewing funciona?

Não há estudo científico que mostre que o mewing muda o formato da mandíbula ou do queixo.

Mewing funciona em adulto?

Não há estudo que mostre isso. No adulto, o que muda o osso do rosto de forma comprovada são tratamentos feitos por profissionais, indicados caso a caso.

Quanto tempo o mewing leva para fazer efeito?

Como não há estudo que mostre efeito, não há prazo conhecido. Os prazos das redes não vêm de pesquisa.

Mewing faz mal?

Não há estudo sobre os riscos. Dor na mandíbula, estalos ou mudança na mordida são motivos para procurar um dentista.

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Fontes

  1. Mew J (2007). Facial changes in identical twins treated by different orthodontic techniques. World Journal of Orthodontics.
  2. Lee UK, Graves LL, Friedlander AH (2019). Mewing: Social Media's Alternative to Orthognathic Surgery? Journal of Oral and Maxillofacial Surgery.
  3. Grillo R, Fernandes LA, Rodrigues dos Santos LA e outros (2026). Dangerous trends on social media related to facial esthetics: Analysis of looksmaxxing and its softmaxxing and hardmaxxing practices. Journal of Stomatology, Oral and Maxillofacial Surgery.