
Dimorfismo facial é o conjunto de diferenças de formato entre o rosto típico masculino e o feminino, como a largura da mandíbula, a largura das maçãs e a altura da parte de baixo do rosto. Medir o dimorfismo de alguém é ver, traço por traço, se cada medida fica mais perto da média dos homens ou da média das mulheres.
É uma descrição, e não uma nota de beleza. Cada pessoa tem traços que puxam para um lado e traços que puxam para o outro, e os estudos mostram que a relação entre dimorfismo e atração é menos simples do que parece.
De onde vêm as diferenças
Antes da puberdade, os rostos de meninos e meninas são parecidos. As diferenças aparecem com o crescimento da adolescência. Um estudo com medidas do crânio mostrou que, na puberdade, a altura da parte de cima do rosto, entre o lábio e a sobrancelha, cresce de forma diferente em homens e mulheres, e que essa diferença não se explica só pelo tamanho do corpo (Weston e colegas, 2007).
As diferenças entre os sexos são de média: muita gente de cada sexo fica longe delas, e as próprias médias mudam de uma população para outra.
Quais traços entram na medida
Para medir o dimorfismo, escolhem-se traços que diferem, em média, entre homens e mulheres do mesmo grupo. Alguns exemplos:
- A largura da mandíbula, de um canto ao outro.
- A largura das maçãs do rosto.
- A altura do terço inferior, da base do nariz à ponta do queixo.
- A largura do nariz, na base.
- A largura da boca, de um canto ao outro.
- A largura entre os cantos de fora dos olhos.
Para cada um, a medida da pessoa é posta numa régua que vai da média das mulheres à média dos homens do mesmo grupo. A média geral das posições mostra se o rosto, como um todo, tende ao típico masculino, ao feminino ou fica no meio.
A razão entre largura e altura
Uma medida famosa é a razão entre a largura do rosto e a altura da parte de cima dele, conhecida pela sigla em inglês fWHR. Ela é muito citada em textos sobre masculinidade, mas os dados não sustentam que seja uma diferença clara entre os sexos.
Uma meta-análise juntou estudos com crânios e rostos. Nos crânios, os homens tiveram a razão um pouco maior, num efeito pequeno. Separando por origem, a diferença só apareceu em amostras do Leste Asiático, também pequena, e nos rostos de pessoas brancas não houve diferença. A conclusão foi que não há motivo para tratar essa razão como uma medida de dimorfismo, pelo menos não de forma universal (Kramer, 2017).
Dimorfismo e atração
Nos rostos de mulheres, traços femininos tendem a agradar. Uma revisão com meta-análises colocou o dimorfismo entre as três características ligadas à atração, junto com a simetria e a proximidade da média (Rhodes, 2006). Num experimento com participantes do Reino Unido e do Japão, as pessoas preferiram versões feminilizadas de rostos femininos às versões médias, com preferência mais forte para rostos da própria população (Perrett e colegas, 1998).
Nos rostos de homens, o resultado é misto. No mesmo experimento, as pessoas preferiram versões levemente feminilizadas de rostos masculinos às médias e às masculinizadas. Deixar o rosto mais masculino aumentou a impressão de dominância, mas também atribuições negativas, como frieza e desonestidade (Perrett e colegas, 1998). Outros estudos encontram preferências diferentes, e uma revisão aponta que elas variam com os hormônios, a aparência de quem olha, a experiência visual e o aprendizado social (Little e colegas, 2011).
Rosto masculino não se traduz em vantagem medida. Uma meta-análise com 96 estudos e mais de 177 mil pessoas testou se traços masculinos se relacionam com o número de parceiras ou de filhos. A masculinidade do rosto não teve relação significativa com nenhum dos dois (Lidborg e colegas, 2022).
Somando tudo: o dimorfismo descreve o rosto, mas não existe um ponto da régua que seja o melhor para todos.
O que muda a leitura do dimorfismo
Os ossos não mudam com exercício nem com hábito, mas o que fica em volta deles muda a impressão:
- A barba aumenta ou disfarça a largura e o comprimento da parte de baixo do rosto. Veja barba por formato de rosto.
- A sobrancelha, mais reta e baixa ou mais arqueada e alta, muda a leitura dos olhos. Veja sobrancelha por formato de rosto.
- O corte de cabelo muda o contorno e o quanto a mandíbula aparece.
A ideia não é empurrar o rosto para um extremo, e sim saber o que cada traço comunica e escolher com isso em mente.
Como o Garbo mede o dimorfismo
O Completo traz uma avaliação de dimorfismo entre as 5 avaliações faciais. O Garbo mede seis traços na foto de frente: a largura dos olhos de canto a canto, a largura do nariz, a largura da boca, a altura do terço inferior, a largura da mandíbula e a largura das maçãs. Cada medida vai para uma régua entre a média das mulheres e a dos homens, com dados publicados por sexo para o grupo mais próximo do seu.
A avaliação mostra a posição de cada traço e a média de todos, com uma faixa que vai de neutro ao típico do seu sexo. É descrição: ela diz para que lado cada traço tende, e não se o seu rosto está certo ou errado.
Para ver como o dimorfismo se soma às outras características, veja o que torna um rosto bonito, segundo os estudos.
Perguntas frequentes
O que é dimorfismo facial?
São as diferenças de formato entre o rosto típico masculino e o feminino, que aparecem na puberdade, como a largura da mandíbula e das maçãs.
Quais traços mostram o dimorfismo do rosto?
Entre os que diferem em média estão a largura da mandíbula, das maçãs, do nariz, da boca e dos olhos de canto a canto, além da altura do terço inferior.
Rosto mais masculino é mais atraente?
Não necessariamente. Em experimentos, versões levemente feminilizadas de rostos masculinos foram preferidas às masculinizadas, e as preferências variam entre pessoas.
A razão entre largura e altura do rosto é diferente entre homens e mulheres?
Pouco ou nada. Uma meta-análise concluiu que essa razão não é uma medida de dimorfismo de forma universal.
Como medir o dimorfismo do rosto?
Medindo traços como a largura da mandíbula e das maçãs numa foto de frente e comparando cada um com as médias de homens e de mulheres do mesmo grupo.
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Fontes
- Weston EM, Friday AE, Liò P (2007). Biometric evidence that sexual selection has shaped the hominin face. PLoS One.
- Rhodes G (2006). The evolutionary psychology of facial beauty. Annual Review of Psychology.
- Perrett DI e colegas (1998). Effects of sexual dimorphism on facial attractiveness. Nature.
- Little AC, Jones BC, DeBruine LM (2011). Facial attractiveness: evolutionary based research. Philosophical Transactions of the Royal Society B.
- Kramer RSS (2017). Sexual dimorphism of facial width-to-height ratio in human skulls and faces: A meta-analytical approach. Evolution and Human Behavior.
- Lidborg LH, Cross CP, Boothroyd LG (2022). A meta-analysis of the association between male dimorphism and fitness outcomes in humans. eLife.